Depois de remover as minas todas e de as colocar nos
respectivos buracos à volta da pilha de mantimentos, trato de as reactivar.
- Tens a certeza de que não vamos todos pelos ares, miúdo? –
a rapariga do Distrito 1 aproxima-se de mim com um olhar desconfiado.
- S…sim. Só têm de seguir o caminho que vos disse. Conseguem
distinguir bem o sítio das minas por isso não há perigo, mas só podem pisar
naqueles determinados sítios. Também fiz isto de modo a que se alguém pisar uma
das minas, as outras não rebentem, e assim os mantimentos não se destroem.
- Bom trabalho, puto – o rapaz do 2 manda-me uma maçã para as
mãos. – estás aprovado.
Disfarçadamente suspiro de alívio. Consegui juntar-me aos
profissionais. Não sei se é bom ou mau, mas por enquanto consigo ter comida,
armas, mais condições para dormir e um pouco de protecção, porque ninguém se
aproxima deles. Tenho medo. Agradeço a Deus por ter sobrevivido até aqui, mas
como me vou safar? E se ficar para o fim com os profissionais? Não tenho
hipóteses. Penso nos meus pais e nos meus irmãos. Tenho de fazer isto por eles,
quero voltar para os abraçar, quero ser o vencedor do Distrito 3. Eu sou capaz.
(Peeta)
Do nosso acampamento vemos uma parede
de fumo a cerca de 2 quilómetros.
- Um incêndio… - digo.
- O fumo está a avançar muito rápido,
só pode ser obra do Capitólio, vamos ver, podem estar a dar-nos uma pista da
localização de alguém, pode ser ela. – diz o Cato.
O meu coração salta. Será que o
Capitólio está a tentar matar a Katniss? Hesito. Tenho de ir com eles.
- Três, ficas de vigia. – diz o
Marvel para o miúdo do Distrito 3. Sem eu dar conta, eles já estão a correr em
direcção ao fumo, não hesito em começar a correr atrás deles, só espero que não
seja a Katniss, por favor que não seja ela.
Corremos um bom bocado e começamos a
notar que o fumo começa a extinguir-se.
- Estamos a perder-lhe o rasto! – diz
o Cato.
Estamos num sítio cheio de pedras e
com um lago lá ao fundo. Espera o que é aquilo? Dentro do lago há algo a
mexer-se. Não consigo perceber o que é. Os seus olhos cruzam-se com os meus. A
Katniss. Quero distraí-los para que não a vejam, mas não consigo tirar os meus
olhos dela. Do seu olhar de socorro, e ao mesmo tempo de ódio.
- Olhem, está ali! – a Glimmer grita
e de repente todos gritam e começam a correr como se estivessem a jogar à
apanhada no jardim de infância. A Katniss começa a nadar até à margem e começa
a correr. Ela está ferida, nota-se na sua maneira de correr, está a coxear
apesar de continuar a correr velozmente. Eles continuam a rir-se e a gritar
enquanto correm atrás da sua presa. Vejo a Katniss lá à frente cada vez com
mais dificuldades a correr. Não, ela não pode desistir. De repente ela pára e
começa a subir a uma árvore. Sinceramente não sei o que é pior, nunca sairá
dali viva. Começo a perder a esperança de a conseguir salvar.
Alcançamos a árvore onde ela se
encontra, pelos menos a uns 6 metros de altura. Começamos todos a tossir porque
estivemos a respirar grandes quantidades do fumo do incêndio.
- Está tudo bem aí em baixo? – a Katniss
diz com uma voz animada…O que está ela a fazer? Olhamos uns para os outros
surpresos.
- Tudo bem – responde o Cato – e tu?
- Tem estado muito calor para o meu
gosto – graceja ela – o ar é muito melhor aqui em cima, porque não sobem?
Ela está a desafiá-los…
- Acho que vou subir – diz o Cato.
- Toma, leva isto Cato. – a Glimmer dá-lhe um arco prateado e uma aljava de flechas.
- Toma, leva isto Cato. – a Glimmer dá-lhe um arco prateado e uma aljava de flechas.
Não consigo olhar para isto, pego na
minha faca e finjo que a estou a limpar à fralda da camisa, evitando o contacto
visual com ela, evitando aquele olhar odioso que preencheu a minha alma há uns
minutos atrás.
- Não – diz o Cato, afastando o arco.
– a minha espada é melhor. – ele pega na sua curta e pesada espada que leva
sempre no cinto. A Glimmer afasta-se visivelmente insultada.
O Cato começa a subir à árvore e
então vejo a Katniss a começar a subir novamente. Sobe mais uns 10 metros,
volto a concentrar-me na minha faca. A única coisa que me faz desviar o olhar é
o estrondo que se dá, e acabo por dar de caras com o Cato estendido no chão e
com a cara vermelha de fúria. Tenho imensa vontade de rir, mas isso
provavelmente só levaria à minha morte precoce. O Marvel tenta ajudá-lo no seu
bom senso mas o Cato grita-lhe para o deixar.
- Levanta-te Cato não é isso que a
vai matar. – a Clove diz bastante segura. As palavras dela têm outro efeito,
pois ele levanta-se calmamente e ajeita a camisola.
A Glimmer iça-se à arvore e começa a
subir, mas assim que vê que os ramos se começam a partir volta a descer. São
todos demasiado pesados para subir mais de 3 metros sem cair de costas no chão.
A Glimmer pega no arco e nas flechas e tenta atingir a Katniss, mas nem perto
lhe chega. A rapariga não tem jeito para aquilo. No entanto a segunda flecha
espeta-se no tronco, perto da Katniss, e ela pega na flecha e começa a agitá-la
no ar, provocando a Glimmer. Eles começam a resmungar uns com os outros, estão
a falar todos ao mesmo tempo e não percebo nada do que estão para ali a dizer.
Sentem-se humilhados. Antes que pensem em algo violento, eu elevo a minha voz.
- Ela que fique lá em cima. Não pode
ir a lado nenhum. Vamos esperar que ela desça, se ficar lá morre à fome.
Eles olham para mim confusos, de
repente sinto receio das minhas palavras, mas apenas ouço o Cato a dizer:
- Está bem, alguém que faça uma
fogueira.
Suspiro de alívio, pelo menos sei que
ela está salva por algum tempo. Talvez ela consiga escapar a meio da noite.
Isso provavelmente levará à minha morte, mas afinal, só há um vencedor, e entre
mim e ela, escolho-a a ela.
O tempo passou rápido, o céu já está
completamente escuro e eles já se estão a preparar para dormir. A fogueira já
está feita. A Glimmer como sempre foi impingir o seu saco cama ao lado do Cato.
Ela atira-se a ele a toda a força, mas ele gosta. Mas também noto que a Clove
fica triste quando eles estão juntos. Será que temos triângulo? No meio disto
tudo fica o Marvel, que é o que mais me agrada (dentro dos possíveis) dos 5
profissionais. É também o que mais desabafa comigo, ele é engraçado. Deito-me
com a cabeça numa rocha e fico a olhar para a árvore. Demoro um pouco a localizá-la
porque a luz é escassa, mas consigo ver a Katniss agarrada à perna. Está ferida
de certeza. A minha esperança está a diminuir. Só quero não pensar nisso, mas
não consigo…
(Clove)
Estou em frente à fogueira,
juntamente com o Marvel e os dois pombinhos. O Peeta está deitado.
Entretenho-me a apontar a faca a um lagarto que se está a aproximar. Só para
não ter de olhar para o Cato. Não sei como pude olhar para ele. Um rapaz alto,
moreno, loiro, olhos azuis. Tem quantas quiser. Algum dia ia reparar em mim? A
Glimmer é linda, 17 anos, loira de olhos verdes. O que me passou pela cabeça?
Desde a primária que reparo nele. Às vezes parecia que olhava para mim da mesma
maneira, mas não passa de uma ilusão. Ali está ele a rir-se com a Glimmer, cuspir
para a espada…Que raiva!
Olho para o lagarto e imagino a cara da Glimmer nele.
Depois aponto a faca e tumba. Se fosse a sério…Para ter a certeza que aquela
réptil está bem morta, atiro-lhe outra faca.
Só ouço os risinhos dela. Vou dar
uma volta, só estou aqui a queimar os meus tímpanos. Levanto-me.
- Clove? – surpreendentemente ouço a
voz do Cato. Não desvio o olhar.
- Diz.
- Onde vais?
- Dar uma volta.
- Onde?
- Sei lá, já venho vou só dar uma
volta, quem sabe não encontro um tributo.
- Sozinha? Está tudo escuro.
Pego nos óculos de visão nocturna e
mostro-lhe.
- Deixa-a ir, Cato – opina a Glimmer.
Sim querida, eu deixo-vos sozinhos.
Ponho os óculos e começo a andar.
Ouço o Cato a dizer para a Glimmer ir dormir. Começo a andar mais rápido. Não
sei onde vou, nem quero saber, só quero estar sozinha. Onde me vim meter? Perdi
a única esperança de protecção que tinha, o Cato. Ele protegeu-me no banho de
sangue, e protegeu-me quando encontrei o miúdo do Distrito 3, apesar de saber
que ele não me ia fazer nada. Agora está a ir na sedução da Glimmer, agora é a
ela que ele protege, eu sou só uma miudinha ao lado dela. Ela só tem beleza,
nem num arco e numa flecha sabe mexer. Não sabe fazer fogueiras, não sabe fazer
nada, é um alvo fácil, mas como vem do Distrito um e sabe fazer cara da má,
todos a temem. Eu sou muito mais baixa e nova, pareço muito mais fácil de
abater, mas fui a que matou mais pessoas de nós os 5, até agora. Começo a ouvir
barulho nas folhas. Ponho a mão na faca que tenho no cinto. Não está vento, só
pode ser uma pessoa ou um animal. Fico completamente imóvel e sustenho a
respiração para tentar ouvir. Volto a ouvir, tenho o reflexo de me virar
rapidamente e pegar na faca, e juro que se o seu cabelo loiro não me chamasse a
atenção, a faca iria direitinha ao meio dos olhos. O Cato aparece por entre as
ervas e levanta as mãos.
- Calma, venho em paz!
Atiro a faca contra a árvore que se
encontra atrás dele, do meu lado esquerdo o que o faz desviar-se.
- Então o que se passa?
- Assustaste-me.
- E agora assustaste-me a mim.
- Tens medo é?
Ele sorri.
- O que fazes aqui Cato? Deixaste a
Glimmer sozinha?
- A Glimmer?
- Sim, estavam a divertir-se imenso
pelo que vi.
- O que queres dizer com isso?
- O que ouviste.
Estou de costas para ele, mas sinto-o
a aproximar-se, sinto a respiração dele no meu ouvido.
- Tens ciúmes é? – diz ele baixinho.
Demoro um pouco a reagir mas depois
afasto-me e viro-me para ele.
- Eu? Porque haveria de ter ciúmes?
- Tu sabes porquê, sabem bem o que se
passa entre nós.
- Não se passa nada, nunca passou.
Ele levanta a sobrancelha.
- Clove por favor, eu bem vejo a
maneira como olhas para mim.
- Tu estás com a Glimmer.
-Se calhar estou apenas a tentar
fazer-te ciúmes…
Não consigo responder, não acredito
no que ouço.
- Ela é linda, aproveita.
- Tu és mais linda, para mim és
melhor que qualquer outra rapariga, não sabes o quanto me deixaste louco com
esse mau feitio. És a única rapariga que não se atirou a mim, e isso chamou-me
a atenção, e a partir daí comecei a sentir algo por ti.
- Eu não tenho mau feitio!
- Acabei de dizer que gosto de ti e
tu só ouviste “mau feito”.
- A sério?
- Porque haveria de brincar com
coisas destas? – ele aproxima-se de mim.
Começo a gaguejar. Não acredito que
ele sente o mesmo que eu…Não consigo responder-lhe.
Ele aproxima-se cada vez mais. O que
vai fazer? Os nossos lábios estão quase a tocar-se. Até que…o susto
sobressalta-nos e damos um pulo para trás. O hino de Panem começa a tocar e o
símbolo da nação é projectado no céu. Nem olho para ver se aparecem caras no
céu. Ele parece atrapalhado.
- Se calhar devíamos voltar para o pé
deles…-digo.
- Mas…
- Vamos…-começo a andar e pego na
faca que ainda está espetada na árvore, deixando-o para trás.
Vais escrever mais não vais? Diz que sim! Estive a ler desde o capítulo 1 e adorei completamente! E ainda por cima agora vais entrar numa das melhores partes do livro! Vou ficar à espera! Beijinhos.
ResponderEliminarAgora que voltei à blogosfera vou tentar arranjar tempo e ideias! :)
EliminarHey sweets,
ResponderEliminarNice post..
Maybe we can follow each other..!!
Keep in touch,
www.beingbeautifulandpretty.com
http://instagram.com/beingbeautifulpooja
Este é o último post que fizeste, e foi publicado no dia 1 de Janeiro.
ResponderEliminarEspero que não estejas a desistir da história. Estou a adorar tudo!