terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Capítulo 11 - Acabei de dizer que gosto de ti e tu só ouviste “mau feito”

(Rapaz do Distrito 3)

Depois de remover as minas todas e de as colocar nos respectivos buracos à volta da pilha de mantimentos, trato de as reactivar.
- Tens a certeza de que não vamos todos pelos ares, miúdo? – a rapariga do Distrito 1 aproxima-se de mim com um olhar desconfiado.
- S…sim. Só têm de seguir o caminho que vos disse. Conseguem distinguir bem o sítio das minas por isso não há perigo, mas só podem pisar naqueles determinados sítios. Também fiz isto de modo a que se alguém pisar uma das minas, as outras não rebentem, e assim os mantimentos não se destroem.
- Bom trabalho, puto – o rapaz do 2 manda-me uma maçã para as mãos. – estás aprovado.
Disfarçadamente suspiro de alívio. Consegui juntar-me aos profissionais. Não sei se é bom ou mau, mas por enquanto consigo ter comida, armas, mais condições para dormir e um pouco de protecção, porque ninguém se aproxima deles. Tenho medo. Agradeço a Deus por ter sobrevivido até aqui, mas como me vou safar? E se ficar para o fim com os profissionais? Não tenho hipóteses. Penso nos meus pais e nos meus irmãos. Tenho de fazer isto por eles, quero voltar para os abraçar, quero ser o vencedor do Distrito 3. Eu sou capaz.
(Peeta)

Do nosso acampamento vemos uma parede de fumo a cerca de 2 quilómetros.
- Um incêndio… - digo.
- O fumo está a avançar muito rápido, só pode ser obra do Capitólio, vamos ver, podem estar a dar-nos uma pista da localização de alguém, pode ser ela. – diz o Cato.
O meu coração salta. Será que o Capitólio está a tentar matar a Katniss? Hesito. Tenho de ir com eles.
- Três, ficas de vigia. – diz o Marvel para o miúdo do Distrito 3. Sem eu dar conta, eles já estão a correr em direcção ao fumo, não hesito em começar a correr atrás deles, só espero que não seja a Katniss, por favor que não seja ela.
Corremos um bom bocado e começamos a notar que o fumo começa a extinguir-se.
- Estamos a perder-lhe o rasto! – diz o Cato.
Estamos num sítio cheio de pedras e com um lago lá ao fundo. Espera o que é aquilo? Dentro do lago há algo a mexer-se. Não consigo perceber o que é. Os seus olhos cruzam-se com os meus. A Katniss. Quero distraí-los para que não a vejam, mas não consigo tirar os meus olhos dela. Do seu olhar de socorro, e ao mesmo tempo de ódio.
- Olhem, está ali! – a Glimmer grita e de repente todos gritam e começam a correr como se estivessem a jogar à apanhada no jardim de infância. A Katniss começa a nadar até à margem e começa a correr. Ela está ferida, nota-se na sua maneira de correr, está a coxear apesar de continuar a correr velozmente. Eles continuam a rir-se e a gritar enquanto correm atrás da sua presa. Vejo a Katniss lá à frente cada vez com mais dificuldades a correr. Não, ela não pode desistir. De repente ela pára e começa a subir a uma árvore. Sinceramente não sei o que é pior, nunca sairá dali viva. Começo a perder a esperança de a conseguir salvar.
Alcançamos a árvore onde ela se encontra, pelos menos a uns 6 metros de altura. Começamos todos a tossir porque estivemos a respirar grandes quantidades do fumo do incêndio.
- Está tudo bem aí em baixo? – a Katniss diz com uma voz animada…O que está ela a fazer? Olhamos uns para os outros surpresos.


- Tudo bem – responde o Cato – e tu?
- Tem estado muito calor para o meu gosto – graceja ela – o ar é muito melhor aqui em cima, porque não sobem?
Ela está a desafiá-los…
- Acho que vou subir – diz o Cato.
- Toma, leva isto Cato. – a Glimmer dá-lhe um arco prateado e uma aljava de flechas.
Não consigo olhar para isto, pego na minha faca e finjo que a estou a limpar à fralda da camisa, evitando o contacto visual com ela, evitando aquele olhar odioso que preencheu a minha alma há uns minutos atrás.
- Não – diz o Cato, afastando o arco. – a minha espada é melhor. – ele pega na sua curta e pesada espada que leva sempre no cinto. A Glimmer afasta-se visivelmente insultada.
O Cato começa a subir à árvore e então vejo a Katniss a começar a subir novamente. Sobe mais uns 10 metros, volto a concentrar-me na minha faca. A única coisa que me faz desviar o olhar é o estrondo que se dá, e acabo por dar de caras com o Cato estendido no chão e com a cara vermelha de fúria. Tenho imensa vontade de rir, mas isso provavelmente só levaria à minha morte precoce. O Marvel tenta ajudá-lo no seu bom senso mas o Cato grita-lhe para o deixar.
- Levanta-te Cato não é isso que a vai matar. – a Clove diz bastante segura. As palavras dela têm outro efeito, pois ele levanta-se calmamente e ajeita a camisola.
A Glimmer iça-se à arvore e começa a subir, mas assim que vê que os ramos se começam a partir volta a descer. São todos demasiado pesados para subir mais de 3 metros sem cair de costas no chão. A Glimmer pega no arco e nas flechas e tenta atingir a Katniss, mas nem perto lhe chega. A rapariga não tem jeito para aquilo. No entanto a segunda flecha espeta-se no tronco, perto da Katniss, e ela pega na flecha e começa a agitá-la no ar, provocando a Glimmer. Eles começam a resmungar uns com os outros, estão a falar todos ao mesmo tempo e não percebo nada do que estão para ali a dizer. Sentem-se humilhados. Antes que pensem em algo violento, eu elevo a minha voz.
- Ela que fique lá em cima. Não pode ir a lado nenhum. Vamos esperar que ela desça, se ficar lá morre à fome.
Eles olham para mim confusos, de repente sinto receio das minhas palavras, mas apenas ouço o Cato a dizer:
- Está bem, alguém que faça uma fogueira.
Suspiro de alívio, pelo menos sei que ela está salva por algum tempo. Talvez ela consiga escapar a meio da noite. Isso provavelmente levará à minha morte, mas afinal, só há um vencedor, e entre mim e ela, escolho-a a ela.
 O tempo passou rápido, o céu já está completamente escuro e eles já se estão a preparar para dormir. A fogueira já está feita. A Glimmer como sempre foi impingir o seu saco cama ao lado do Cato. Ela atira-se a ele a toda a força, mas ele gosta. Mas também noto que a Clove fica triste quando eles estão juntos. Será que temos triângulo? No meio disto tudo fica o Marvel, que é o que mais me agrada (dentro dos possíveis) dos 5 profissionais. É também o que mais desabafa comigo, ele é engraçado. Deito-me com a cabeça numa rocha e fico a olhar para a árvore. Demoro um pouco a localizá-la porque a luz é escassa, mas consigo ver a Katniss agarrada à perna. Está ferida de certeza. A minha esperança está a diminuir. Só quero não pensar nisso, mas não consigo…

(Clove)

Estou em frente à fogueira, juntamente com o Marvel e os dois pombinhos. O Peeta está deitado. Entretenho-me a apontar a faca a um lagarto que se está a aproximar. Só para não ter de olhar para o Cato. Não sei como pude olhar para ele. Um rapaz alto, moreno, loiro, olhos azuis. Tem quantas quiser. Algum dia ia reparar em mim? A Glimmer é linda, 17 anos, loira de olhos verdes. O que me passou pela cabeça? Desde a primária que reparo nele. Às vezes parecia que olhava para mim da mesma maneira, mas não passa de uma ilusão. Ali está ele a rir-se com a Glimmer, cuspir para a espada…Que raiva! 


Olho para o lagarto e imagino a cara da Glimmer nele. Depois aponto a faca e tumba. Se fosse a sério…Para ter a certeza que aquela réptil está bem morta, atiro-lhe outra faca. 


Só ouço os risinhos dela. Vou dar uma volta, só estou aqui a queimar os meus tímpanos. Levanto-me.
- Clove? – surpreendentemente ouço a voz do Cato. Não desvio o olhar.
- Diz.
- Onde vais?
- Dar uma volta.
- Onde?
- Sei lá, já venho vou só dar uma volta, quem sabe não encontro um tributo.
- Sozinha? Está tudo escuro.
Pego nos óculos de visão nocturna e mostro-lhe.
- Deixa-a ir, Cato – opina a Glimmer. Sim querida, eu deixo-vos sozinhos.
Ponho os óculos e começo a andar. Ouço o Cato a dizer para a Glimmer ir dormir. Começo a andar mais rápido. Não sei onde vou, nem quero saber, só quero estar sozinha. Onde me vim meter? Perdi a única esperança de protecção que tinha, o Cato. Ele protegeu-me no banho de sangue, e protegeu-me quando encontrei o miúdo do Distrito 3, apesar de saber que ele não me ia fazer nada. Agora está a ir na sedução da Glimmer, agora é a ela que ele protege, eu sou só uma miudinha ao lado dela. Ela só tem beleza, nem num arco e numa flecha sabe mexer. Não sabe fazer fogueiras, não sabe fazer nada, é um alvo fácil, mas como vem do Distrito um e sabe fazer cara da má, todos a temem. Eu sou muito mais baixa e nova, pareço muito mais fácil de abater, mas fui a que matou mais pessoas de nós os 5, até agora. Começo a ouvir barulho nas folhas. Ponho a mão na faca que tenho no cinto. Não está vento, só pode ser uma pessoa ou um animal. Fico completamente imóvel e sustenho a respiração para tentar ouvir. Volto a ouvir, tenho o reflexo de me virar rapidamente e pegar na faca, e juro que se o seu cabelo loiro não me chamasse a atenção, a faca iria direitinha ao meio dos olhos. O Cato aparece por entre as ervas e levanta as mãos.
- Calma, venho em paz!
Atiro a faca contra a árvore que se encontra atrás dele, do meu lado esquerdo o que o faz desviar-se.
- Então o que se passa?
- Assustaste-me.
- E agora assustaste-me a mim.
- Tens medo é?
Ele sorri.
- O que fazes aqui Cato? Deixaste a Glimmer sozinha?
- A Glimmer?
- Sim, estavam a divertir-se imenso pelo que vi.
- O que queres dizer com isso?
- O que ouviste.
Estou de costas para ele, mas sinto-o a aproximar-se, sinto a respiração dele no meu ouvido.
- Tens ciúmes é? – diz ele baixinho.
Demoro um pouco a reagir mas depois afasto-me e viro-me para ele.
- Eu? Porque haveria de ter ciúmes?
- Tu sabes porquê, sabem bem o que se passa entre nós.
- Não se passa nada, nunca passou.
Ele levanta a sobrancelha.
- Clove por favor, eu bem vejo a maneira como olhas para mim.
- Tu estás com a Glimmer.
-Se calhar estou apenas a tentar fazer-te ciúmes…
Não consigo responder, não acredito no que ouço.
- Ela é linda, aproveita.
- Tu és mais linda, para mim és melhor que qualquer outra rapariga, não sabes o quanto me deixaste louco com esse mau feitio. És a única rapariga que não se atirou a mim, e isso chamou-me a atenção, e a partir daí comecei a sentir algo por ti.
- Eu não tenho mau feitio!
- Acabei de dizer que gosto de ti e tu só ouviste “mau feito”.
- A sério?
- Porque haveria de brincar com coisas destas? – ele aproxima-se de mim.
Começo a gaguejar. Não acredito que ele sente o mesmo que eu…Não consigo responder-lhe.
Ele aproxima-se cada vez mais. O que vai fazer? Os nossos lábios estão quase a tocar-se. Até que…o susto sobressalta-nos e damos um pulo para trás. O hino de Panem começa a tocar e o símbolo da nação é projectado no céu. Nem olho para ver se aparecem caras no céu. Ele parece atrapalhado.
- Se calhar devíamos voltar para o pé deles…-digo.
- Mas…
- Vamos…-começo a andar e pego na faca que ainda está espetada na árvore, deixando-o para trás.

4 comentários:

  1. Vais escrever mais não vais? Diz que sim! Estive a ler desde o capítulo 1 e adorei completamente! E ainda por cima agora vais entrar numa das melhores partes do livro! Vou ficar à espera! Beijinhos.

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    1. Agora que voltei à blogosfera vou tentar arranjar tempo e ideias! :)

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  2. Hey sweets,
    Nice post..
    Maybe we can follow each other..!!
    Keep in touch,
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  3. Este é o último post que fizeste, e foi publicado no dia 1 de Janeiro.
    Espero que não estejas a desistir da história. Estou a adorar tudo!

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