segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Capítulo 2 - "Prometo que tento ganhar…por vocês."

(Rue)

Eu e o Tresh fomos encaminhados rapidamente para a Casa da Justiça. Conheço o Tresh de vista, nas colheitas. Apesar do seu porte gigante o Tresh é um rapaz humilde, pelo menos do que já pude presenciar. Ajuda sempre os mais idosos nas colheitas e por vezes faz-me sinal quando estou distraída para eu cantar a melodia de quatro notas que anuncia o fim das colheitas do dia, visto que ele é um dos que mais se distingue no meio daquelas pessoas. Metem-me dentro de uma sala, fico simplesmente a contemplá-la. É antiga mas tem um aspecto belíssimo, nunca tinha estado aqui. Vou até à janela, consigo ver as pessoas a dispersar, a irem ter com os filhos com suspiros de alívio. Alguns sorriem ao verem que ficaram safos por mais um ano. Gostava de ser uma daquelas pessoas, mas não tive essa sorte. Ouvi os dois Soldados da Paz que ficaram à porta a falar e instantes a seguir entram os meus cinco irmãos a correr seguidos dos meus pais, abraço-os todos enquanto os meus pais me observam com um olhar de dor, dirijo-me a eles e abraço-os também, não consigo evitar de começar a chorar, e de repente, a magnífica sala transforma-se num poço de lágrimas. Vou ter tantas saudades deles, o meu irmão mais velho tem 8 anos, como se irá safar nas colheitas agora que não me tem para o ajudar? Os meus pais trabalham no outro lado das colheitas, por isso terá de aprender sozinho…talvez o Tresh os ajude, se ganhar, a menos que fique safo das colheitas, visto que quem ganha os Jogos fica podre de rico. O meu pai recompõe-se e agacha-se para ficar da minha altura.
- Rue, tu és inteligente, sabes trepar árvores como ninguém e és muito rápida, tens hipóteses…
- Pai…
- Tu tens hipóteses!
Segue-se silêncio. A minha mãe aproxima-se de mim e põe as mãos na minha cara, as lágrimas nos seus olhos eram visíveis.
- Porquê? – começou a chorar de novo sem conseguir dizer mais nada.
- Mãe, não há nada que nós possamos fazer, era o meu nome que estava no papel, não há volta a dar, mas eu prometo que tento ganhar…por vocês.
Ficamos todos abraçados até os Soldados da Paz nos virem separar e le­vá-los. Como são muitos, ainda tenho tempo de dar um beijo na testa do meu irmão mais novo.
- A mana vai voltar.
Antes que ele pudesse reagir, um dos soldados pega-o ao colo de uma maneira bruta e sai, fechando a porta atrás de si. Depois entra um e leva-me até ao comboio, empurrando-me lá para dentro juntamente com o Tresh.


Odeio os Soldados da Paz. São pessoas sem dó nem piedade. Aqui no Distrito 11, as regras são simples. Basta uma pessoa faminta roubar uma maçã de um dos pomares e ser apanhada, que é condenada a pena de 40 açoites no centro da cidade…para que todos possam ver, para que todos vejam o poder que o Capitólio tem sobre nós, ao enviar centenas de estes homens para cada Distrito, meter medo a todas as pessoas que os olham nos olhos. Uma vez, quando eu tinha apenas 9 anos, estava a voltar das colheitas juntamente com as outras pessoas, cada uma com o seu cesto. Antes de irmos para casa temos de deixar os cestos num local perto da Casa da Justiça para que sejam recolhidos. Uma criança levava cenouras no seu cesto e aproveitou a confusão de pessoas para tirar uma e meter dentro do casaco. Eu pensava que tinha sido a única a testemunhar a cena, mas de repente vejo a criança a levitar, não percebi o que tinha acontecido até que olho para cima e vejo a criança pendurada na mão de um Soldado da Paz, que o agarrava pela parte de traz do casaco. Não vi o que aconteceu porque as pessoas meteram-se à minha frente, mas por entre as suas pernas vi a criança a cair e a ficar deitada no chão…inanimada.

(desculpem por o capítulo ser pequeno, mas não havia muito a dizer, comentem!)

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