quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Capítulo 3 - "Porque me estou a rir? Não sei, mas não quero parar."

(Clove)

Eu e o rapaz do meu Distrito entrámos no comboio. Dentro deuns dias estarei na arena. Recusei a voluntária porque sempre quis vir para osJogos. O meu treinador pessoal queria que eu esperasse até aos 16 anos, paracrescer em tamanho e em prática, mas eu mal posso esperar por entrar naquelaarena e mostrar quem é a Clove, e quem é o Distrito 2. O rapaz do meu Distrito,penso que se chama Cato está atento a mim. Não sei porquê, mas não me incomoda,apesar de eu odiar que as pessoas estejam a olhar-me fixamente. Ele é gigante,e para meu inimigo, até é jeitoso. Loiro de olhos verdes acastanhados. Aprimeira coisa que faz quando chegamos à carruagem da comida é pegar numa maçãe mandar-se para o sofá.
- Então, recusar uma voluntária…és corajosa para uma raparigade 14 anos. – ele acena com a cabeça com ar de surpreendido, que descarado, atéparece que nos conhecemos há anos para me estar a falar assim.
- Eu tenho 15. E tu és corajoso para um rapaz de fato. –sento-me num cadeirão à frente do sofá.
Ele levanta a sobrancelha.
- E qual é essa ideia de estares esponjado no sofá? Guarda isso para a arena.
- Estás a insinuar que eu vou morrer?
- Sim, para loiro não és nada burro.
Ele estava prestes a responder quando os nossos mentores entram. Primeiro entra o homem, conheço-o de vista. Chama-seBrutus, tem por volta dos uns 40 anos, é careca e tem os olhos azuis, ganhou osquinquagésimos primeiros Jogos da Fome. Ele vai ser o mentor do Cato. Atrá sdele entra uma mulher, pele escura e cabelo curto. Tem cerca de 30 anos. É bastante conhecida no nosso distrito e no Capitólio porque nos Jogos em queparticipou, venceu um combate corpo a corpo rasgando o pescoço do tributo comos dentes. Depois de vencer fez uma alteração cosmética aos dentes dando-lhesuma ponta aguçada e embutidos em ouro. O Brutus aborda-nos.
- Bons dias caros tributos. O meu nome é Brutus, esta é a Enobaria e seremos os vossos mentores dos Jogos. Eufico com o…
Segue-se uma pausa, nem sabe o nomede quem vai aconselhar!
- Cato – o Cato diz o seu nome.
- Ao menos eu sei o nome do meutributo, Brutus…
- Falas de mais Eno, já todos vimosque os teus dentes brilham.
Que conversa fiada, quero começar atreinar! Elevo um pouco o meu tom de voz.
- Quando começamos?
Todos olham para mim e a Enorabia vemna minha direção.
- Amanhã. A Amanda disse que o jantaré daqui a uma hora, vão tomar banho, depois do jantar é o resumo das ceifas.
- Cá estaremos. – diz o Cato.
Saímos os dois, alcançamos a porta aomesmo tempo e por isso quase colidimos. Ele afasta-se para me deixar passar.
- Obrigado – passo por ele e depois omeu pensamento detém-se. Obrigado? Porque raio agradeci? Nem me lembro daúltima vez que o fiz. Não era mais que a sua obrigação deixar-me passar, talcomo a Amanda diz: “Primeiro as senhoras!”. A palavra saiu-me da boca parafora. Porque havia de agradecer a uma pessoa que vou matar? Ouço-o a alargar ospassos para chegar a mim.
- Então, e qual é o teu ponto forte?
Fito-o.
- E o teu?
- Tens medo de dizer? – diz com um arde gozo.
- Eu não tenho medo de nada.
- Nem de mim? – continua com o ar degozo.
- Muito menos de ti, loirinho. –continuo a andar e entro no meu quarto fechando a porta na cara dele. Fiqueicom o ouvido encostado à porta, e só depois de uns 10 segundos é que ouvi ospassos dele a afastarem-se.
Tiro a roupa e vou tomar um duche.Tento não pensar no atrevimento do Cato, em eu lhe ter agradecido, em ele meter perguntado se tinha medo dele…de repente, percebo que estou no duche hámais de meia hora, saio e abro as gavetas da roupa. Só tenho 5 minutos por issotiro uma blusa branca simples e umas calças skinny pretas e faço umrabo-de-cavalo.
Vou para a sala de jantar, comoesperava já estão todos à mesma. Comemos e sentamo-nos todos ao sofá. Sento-meentre a Enorabia e a Amanda mas esta levanta-se para ir buscar um copo de vinhoe o Cato aproveita a ocasião para se sentar, aquilo não foi bem sentar, foimandar um estrondo para cima do sofá, e algo me diz que foi de propósito.
- Hei tem cuidado!
- Ai desculpa pequenina não te vi aí– volta a fazer o mesmo ar de gozo que fez no corredor dos quartos.
- Eu não sou pequenina! Tu é que ésgigante!
- És mini.
- Tu és maisvelho!
- E mais forte.
- Convencido.
- Realista.
Ficamos a olhar um para o outro, nãosei como aconteceu, mas depois de dois segundos de olhares começamos os dois a rir-nos. Porque me estou a rir? Não sei, mas não quero parar. A Amanda volta aaparecer e eu recomponho-me, apesar de ele continuar a sorrir, eu finjo que nãovejo.
- Vai começar! – exclama ela ansiosapor ver os outros tributos.
Após o hino, começa então o resumo.No Distrito 1, uma rapariga loira voluntária e um rapaz esquisito. Depoisapareço eu a recusar uma voluntária e o Cato a voluntariar-se. O Cato…bolas perdi os tributos de Distrito 3! Porque é que estou sequer a pensar nele!?Tento voltar a concentrar-me…No Distrito 4 fica-me na memória um rapaz ruivocom caracóis com cerca de 13 anos. Distrito 5 outra ruiva…Distrito 11 umaraparigita de 12 anos…fácil. Ainda no Distrito 11 o rapaz que ainda me parecemaior do que o Cato e com cara de mau. Cato outra vez…raios! O meu pensamento édetido pela rapariga do Distrito 12…é chamada uma miúda de provavelmente 12anos, mas uma rapariga avança como voluntária, deve ter uns 16 anos. Umvoluntário no Distrito 12, pergunto-me se alguma vez aconteceu. Estes são ostributos que me chamaram a atenção, espero que os do Distrito 3 não sejammonstros como o do 11, ou mesmo o Cato…
- Que fácil – diz ele superconfiante.
- O único alvo mais difícil parece-meo do 1 e o do 11 – diz o Brutus.
Olho para o Brutus.
- Dos rapazes! – ele emenda.
- Amanhã é o desfile e depois deamanhã são os treinos, vejam se se aliam aos do 1 e ao do 11, parece que valema pena.
Eu digo:
- Não me alio a ninguém sem saber oque valem primeiro, o rapaz do 1 é estranho.
- A rapariga do 2 também – diz o Catodescaradamente com o típico ar de gozo, ele está a pedi-las, se fosse outromandava-me para cima dele! Espera…o que quero dizer com “outro”?...

1 comentário: