domingo, 18 de novembro de 2012

Capítulo 9 - Tento apagar a fogueira mas é tarde de mais...

(Cato)

Alcancei a Cornucópia. Pego nas armas que estão mais à mão e começo a minha contribuição para o banho de sangue. Todos os que se metem à minha frente acabam com alguma coisa espetada. 



Não tiro os olhos da Clove, uma coisa que não vou deixar é que ela morra. Ela é forte e rápida e aquele jeito com as facas…mas nunca se sabe. O banho de sangue desenrola-se com o passar do tempo. Olho à minha volta. Vejo vários corpos no chão. A Glimmer está por cima de um rapaz, o Marvel acabou de deitar um ao chão e a Clove…a Clove? Não a vejo em lado nenhum. Não. Não pode ser. Corro à volta da Cornucópia e vejo-a a lutar sozinha com mais 2 rapazes. Vejo outro a correr na direção dela com uma faca na mão, mas ela está de costas e não o vê. O que me aconteceu a seguir foi algo instintivo, porque comecei a correr na direção dele e mandei-me para cima dele. Entretanto os outros dois já estão no chão e ela vira-se de repente. Com as minhas próprias mãos esgano o rapaz até a morte e mesmo sabendo que ele está morto continuo. Só volto a mim quando ouço a Clove a dizer que já chega.
- Cato!
- É para ter a certeza que não se volta a aproximar de ti.
- O quê?
- Ele estava a correr na tua direção, tu é que não viste porque estavas de costas.
- Porque fizeste isto?
- Porque…somos uma aliança…
- Ah, certo…obrigada…
Algo se passa com ela. Está esquisita comigo. Se calhar é de tudo isto que está a acontecer. Não vejo ninguém de pé se não a Glimmer e o Marvel que rondam os cadáveres para se certificarem de que nenhum está vivo.
- Vamos ver o que está dentro da Cornucópia? – pergunto.
- Eu  vou recolhendo as coisas que estão aqui à volta, já vou ter contigo. – ela volta-me as costas e começa a pegar nas coisas.
- Clove?
- Sim?
- Estás bem?
Ela volta a olhar para mim.
- Eu estou sempre bem – ela pisca-me o olho. Agora tenho a certeza de que está bem. Aquele piscar de olho fez-me ganhar o dia.
Eu sorri-o e digo “já venho”. Entro na Cornucópia. O que é aquilo? Por entre todas as armas vejo uma coisa ruiva a mexer-se, parece cabelo com caracóis. O miúdo do distrito 4!
- Sabes que não te safas não sabes puto?


O que se estava a mexer pára de repente. É então que o vejo a rastejar a tentar sair. Com o machado que tinha na mão mato-o. Há cada burro. Como se esconder-se na Cornucópia o fosse ajudar. Afasto-o com o pé e olho à minha volta. Paraíso das armas, cada uma melhor que outra. Todas altamente mortíferas. Eu podia viver aqui. Inspecciono o resto da Cornucópia, não vá estar mais nenhum aqui escondido. Nada. Saio de lá de dentro e vejo os outros a chamarem-me. Temos de nos afastar durante um bocado para poderem recolher os corpos dos tributos mortos. Vou ter com eles.
- Nem sabem o que descobri – digo
- O quê?
- O miúdo do Distrito 4 estava escondido na Cornucópia.
- A sério? – a Glimmer começa-se a rir – mataste-o certo?
- Claro, ele ainda tentou fugir mas não lhe dei hipótese.
- Claro que não – a Glimmer aproxima-se de mim com o sorriso provocador – afinal tu és tão forte…
- Foram para aí uns quantos? – pergunta o Marvel.
- Uns 10 – digo - vamos esperar que os canhões soem, olhem já recolheram os corpos, vamos reunir e ver o que temos, têm de ver o que está dentro da Cornucópia.


(Foxface)

Na minha gruta ouço o primeiro canhão…São 12 ao todo, 12 mortos no primeiro dia. Ainda é cedo, devem ser por volta das 4 da tarde. Estou viva. Não posso dizer que sobrevivi ao primeiro dia pois este ainda não acabou, mas sobrevivi às primeiras horas de terror. Estou numa gruta. Estou para aí a 10 metros da entrada, não quis aventurar-me mais na gruta, nunca se sabe que perigos sem escondem nela. Andei um bom bocado para chegar aqui, mas mesmo assim foi relativamente pouco. Não podia andar mais. Não sei caçar, não consigo arranjar alimentos se não roubar aos profissionais, e por isso tenho de estar perto deles. Mas como? Tenho de os espiar durante o dia para perceber como organizam a comida e como são as suas rotinas. À noite devem ir “caçar” tributos, é aí que tenho de entrar em acção. Enquanto não encontrar um sítio mais seguro tenho de ficar aqui, duvido que saiam de ao pé da Cornucópia antes do anoitecer. Mesmo assim pego em pedras e folhas e tapo parte da entrada da gruta. Consigo que fique um bocado aberto para fugir se acontecer alguma coisa e para que entre luz. Duvido que vivam aqui ursos ou animais selvagens, porque a gruta é demasiado húmida e quente apesar de o clima lá fora ser ameno. Mas lagartixas e outros répteis certamente viverão aqui. Os produtores dos jogos entretêm os espectadores com o banho de sangue e com a excitação do primeiro dia por isso duvido que “soltem” esses bichos para me atacarem, mas tenho de sair daqui antes que os jogos se tornem monótonos. Estive a ver imensos jogos anteriores, os produtores, em todos eles, só começaram a manipular o jogo a partir do terceiro dia, por isso vou dormir aqui hoje. Duvido que os profissionais vejam esta gruta porque está no meio de imensas pedras, sinceramente nem sei como entrei aqui.
Tenho de organizar as minhas ideias. Faço uma pequena lista na minha cabeça das coisas que aconteceram e das minhas estratégias:
·         Sobrevivi ao banho de sangue
·         A arena tem um bosque, um lago grande e um campo com ervas muito altas
·         Estou numa gruta
·         Há 4 profissionais
·         Não tenho absolutamente nada de mantimentos, armas ou objectos úteis
·         12 tributos já morreram
·         12 continuam vivos
·         Tenho de espiar os profissionais
·         Tenho de me alimentar de plantas e ervas se não tiver alimentos
·         Tenho de sair desta gruta o mais rápido possível
·         Tenho medo
Depois de organizar as minhas ideias respiro fundo. Levanto-me e espreito para fora da gruta. Apenas ouço pássaros. Saio da gruta e volto a respirar fundo. 

image

Olho para as minhas mãos e vejo que estão arranhadas. Deve ser de afastar as plantas quando estava a fugir. O pânico era tão grande que nem notei. Olho à minha volta. Só vejo pedras enormes e árvores atrás de mim. Estou indecisa entre explorar isto um bocado ou ficar aqui. Bem, não posso ficar até à noite sem comer, o estômago já começa a fazer barulho, mas já estou habituada a ouvi-lo. No bosque devem haver plantas com certeza. Pego numa flor que nasceu nas entranhas de uma pedra e coloco-a na entrada da gruta para a distinguir das outras pedras e vou para o bosque. Vou ficar apenas na orla do bosque. Felizmente encontro algumas raízes comestíveis e umas bagas. Um dos arbustos tem bagas não comestíveis e está mesmo ao lado do outro. A mim não me enganam. Tive a nota máxima no teste das plantas comestíveis.

(Rapariga do Distrito 8)

Já anoiteceu. Está imenso frio. Não tenho nada senão um canivete que encontrei no chão pelo caminho. Mas que sorte. Estou completamente a gelar pelos ossos. Ainda bem que aprendi a fazer fogueiras no centro de treinos porque rapidamente faço uma com duas pedras. Consigo aquecer as mãos pelo menos. Tenho de arranjar um sítio para ficar a dormir, se conseguir dormir. Estou cheia de medo. Ainda nem estou em mim. Estou nos Jogos da Fome. Matar ou ser morto. Ouço passos. Não, como me pude esquecer?? A fogueira. Estava tão preocupada com o frio que me esqueci da luz da fogueira. Tento apagar a fogueira mas é tarde de mais. Os 4 profissionais do Distrito 1 e 2 aparecem. Vejo o rapaz do 2 a dar um machado gigante a rapariga do 1.
- Por favor não me matem!
Eles só se riem da minha cara.
- Achas mesmo que poupamos a tua burrice querida?
E de repente, tudo passa a escuridão.

------------------------------
Pessoal já temos grupo no facebook! Adiram! http://www.facebook.com/groups/248852725242005/ Poderam ter todas as informações de quando publico etc....continuem a ler e espero que tenham gostado do capítulo!

2 comentários:

  1. Entao mas, nao era a cara de raposa que no final morre devido às tais camarinhas da noite?? como é possivel que ela tenha tirado a nota maxima no teste das plantas comestiveis mas nao se ter apercebido?? ah, ja agora, a fanfic esta super boa, continua!! :)

    ResponderEliminar
  2. Eu sei também não concordei com isso. Mas no filme ela faz o teste com muita facilidade aparentemente e para ter sobrevivido até tão longe deveria saber mais do que o mínimo sobre as plantas. Já pensei em dizer que ela comeu as bagas de propósito porque sabia que não ia ganhar, mas vou pensar nisso :) obrigadaa <3

    ResponderEliminar